sexta-feira, 6 de março de 2015

Capítulo 1 - O Saquinho de Sementes






Os fatos que vou narrar aconteceram em Cruz das Almas no começo dos anos 90, ninguém sabe ao certo até que ponto eles são verídicos. São as aventuras de Luiz, menino traquino que cresceu no berço daquela cidade. Ele morava perto da praça da Jurema em uma casa simples e cheia de alegria. Em 1992 o mesmo tinha oitos anos, bem cedinho era acordado pelo seu pai que trabalhava nas fábricas de fumo, sua mãe era dona de casa e tinha o perfil das mulheres brabas do Nordeste, tratava o menino a base dos gritos quando era desobediente e com muito carinho e amor nos momentos de afeto.  Ele tinha dois irmãos bem mais velhos, já estavam na adolescência. A vida era bem gostosa para aquele garoto, o café da manhã era bem preparado com pão, manteiga, leite e laranja. O que as crianças da cidade mas gostavam era de ganhar as ruas. Nos fundos da Praça da Jurema naquela época não tinha nada construído, era feito por um grande pasto, quando havia alguém cortando lenha o eco era ouvido e se espalhava pelo ar. As pipas eram a curtição principal do mês de outubro, quando se podia comprar uma, ótimo, quando não era o caso, eles fabricavam o periquito, que era feito com folhas de caderno e a diversão era garantida do mesmo jeito. Durante a noite era proibido ver televisão, nessa hora seu pai Jorge gostava de prosear com os amigos, sua mãe  Mariana gostava de comer bolo, tomar um café e fofocar com as amigas. As vezes escrevendo esses fatos, só de lembrar, percebo que a vida sem internet era no mínimo um pouco mais calma. A rua em que morava tinha uma extensão de uns 120 metros e nela se agrupavam dez casas, ali havia uma patotinha formada por garotos de idades bem próximas. O Sergio era o líder do grupo, por ser um pouco mais velho era o precursor de todas as traquinagens, sabia cair fora quando o grupo se metia em encrenca. O Joaquim era o melhor amigo do Luiz. Também faziam parte do grupo o Marcelo, Neto e o Alan. A criatividade deles era impressionante, eles tinham vários momentos de descobertas, qualquer assunto poderia ser uma novidade: um relógio a prova d’água, uma vaca doente, um pé de mamão que dava frutas o ano todo. As conversas eram sempre preenchidas por mentiras, coisa de criança, alguém dizia, eu vi na televisão, meu avô me disse e começavam-se as disputas. Exemplo de quando Alan ganhou um relógio de seu pai que resistia a água, Marcelo perguntou:
- Pode tomar banho em casa?
- Pode – respondeu Alan.
- E na piscina- perguntou Sergio.
- Claro que pode.
- Pois meu tio tem um que desce 300 metros, esse desce?
- Desce sim, o homem que vendeu ao meu pai disse que aguenta 10 horas de balde de água.
- Pois meu tio desceu 300 metros ali na ponte da ilha de Itaparica.
Um simples relógio, uma sombra de árvore já era fruto para horas de conversa. Certa vez apareceu uma cobra, o caseiro de uma casa vizinha a matou e recomendou aos meninos não mexer na cobra morta, pois a mesma iria procurar as crianças a noite em suas camas.
O elo principal desse relato começou no dia em que os garotos saíram pasto adentro em direção ao matadouro que fica próximo aos fundos do colégio Jorge Guerra. Os garotos tinham medo daquela região, pois seus pais lhes diziam que ali era perigoso, não era para chegar ali perto, mas como as crianças eram teimosas certo dia saíram nessa trilha. No caminho eles avistaram micos, lagartixas, passarinhos, riachos, etc... iam vagando se perturbando o tempo todo. Na volta em um local bem isolado os garotos perceberam uma cabana,  mesma era levantada a base de barro e pedaços de galhos, a cobertura era de esteira velha com plástico por cima, os garotos nunca tinham visto nada igual. Haviam cachorros por todos os lados. Observaram de longe e se perguntaram quem deveria morar naquela cabana.
- Um bruxo mora ali – disse Sergio.
- Nossa – se impressionou Luiz e os demais garotos.
A cabana era uma “invasão”  ao redor dela havia muita coisa velha, como móveis, panelas, fogão, carroças, era como se toda as coisas que um dia as pessoas jogaram fora estivesse ali. O visual e a criatividade dos garotos rendeu bastante, que tipo de bruxaria ele fará? Onde está esse bruxo? O que será que ele faz? Aquele vazo azul está cheio de poção mágica, bem que meu tio me disse, por aqui há bruxos, é perigoso. Uma hora o bruxo saiu para fora, era realmente assustador, era um mulato de seus 60 anos, mas a aparência era de 80, a barba era gigante e branca, os cabelos há muitos anos não era cortado... seus trajes eram restos, algo que um dia for novo, mas naquele momento lhe servia bem para cobrir o corpo. Não havia mais dúvidas, ali estava ele: o bruxo. Os garotos olhavam do alto de um barranco, uma hora o bruxo olhou para o lado e gritou:
- Fora da minha casa, seus danados.

Os garotos correram, correram, correram... até que o ar começou a lhes faltar. Já era quase a hora do almoço, tiveram pouco tempo de conversar entre eles. Luiz não conseguia tirar da cabeça o aspecto assustador daquele bruxo. Teria algum risco dele vir durante a noite? Não poderia comentar o feito com a sua mãe, se não umas palmadas ele ia tomar. Com a cabeça, a criatividade e a imaginação a mil por hora ele foi dormir. 

* Foto Desconhecido. Se algue conhecer o autor informar por favor. 

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