segunda-feira, 23 de março de 2015

Capítulo 2- O Saquinho de Sementes

Luiz ficou com aquele diferente modelo de vida em sua mente. Como pode alguém viver daquele jeito? Será que ele é mesmo um bruxo? Ficou dias pensando naquele senhor. Certo dia durante um "baba" ( jogo de futebol, gíria baiana) o suposto bruxo passou carregando um grande carrinho e falando sozinho, foi quando seus colegas começaram a gritar:

- Sai da frente macumbeiro, a gente tá jogando...

Luiz estava de fora nesse momento. O carrinho que ele carregava era de entulhos até as bordas, o mesmo carregava lençol velho, pneus, rolamentos, esqueleto de televisão e por aí vai. Para que toda aquelas coisas velhas? O pequeno tinha algo a mais de questionador que os demais garotos. Dias se passaram e o pequeno cruzalmense decidiu ir ver o habitat do bruxo. Foi de bicicleta e ficou olhando de longe, ele notou que as pessoas batiam na porta e saiam com saquinhos, alguns chegavam com o semblante preocupado. Certa hora o garoto decidiu se aproximar mais, e subiu em uma árvore que parte dos galhos invadia a barraca do mendigo. De tanto observar o galho quebrou. Luiz desmaiou e acordou dentro da cabana. Sentiu temor e o maior medo de sua vida quando o viu de perto, suas roupas eram rasgadas, velhas, cheiravam mal, seu semblante era de descuido total. Ao seu lado tinha uma garrafa de bebida e dava goles com uma frequência um pouco alta. Mas Luiz foi surpreendido, com seu primeiro pronunciamento em um tom de voz dócil e receptivo:

- O que faz aqui pivete?

- Eu que te pergunto, como alguém pode morar aqui? só tem lixo.

- Aqui não há lixo, apenas recolho coisas que exalam boas energias, parecem velhas, porém, elas vem de lares abençoados, com elas atraio a paz que preciso nesse local.

Luiz tinha mais capacidade de que os adultos para entender o que estavam lhe explicando, mesmo porque em suas palavras ele pode sentir isso mesmo, paz.

- Vem vamos dar uma volta no bosque.

Junto os dois entraram em uma mata fechada onde a Luz mal podia entrar, de longe parecia a continuação de um pasto, mas era impressionante como eles foram absorvidos por aquela quantidade de verde.

- Veja, isso é um bosque, dos milhares que há pelo mundo, ele por si só é equilibrado, numa sequencia de fundamentos lógicos e complexos impressionantes. O mais interessante de tudo, é que nós seres humanos possuidores de pensamentos fazemos parte de tudo isso. A interação do ser humano com esse bosque é um pouco parecida de sua relação com o resto mundo, se é que é resto, a verdade é que não temos noção da imensidão que pode haver depois desse bosque...

O pequeno ficou paralisado e hipnotizado enxergando as flores, rosas, vermelhas, amarelas, troncos grandes, troncos pequenos, um pequeno vento tomava conta do local...

- Nessa pequena porção de mata há plantas boas, maravilhosas... e também existem as venenosas para nós,,, os seres humanos. O problema é que pessoas como eu estão a anos tendendo entender quais plantas de fato, podem nos fazer o bem, e quais podem nos envenenar. As tralhas velhas das quais você falou são objetos que parecem mortos, mas são provenientes de uma energia maravilhosa, uma sintonia única... que infelizmente só pessoas como eu são capazes de sentir.

Deu um bom gole em sua bebida...

- Aqui mesmo há plantas hipnotizantes, maravilhosas... mas letais... hás as maravilhiosas que podem lhe curar de uma febre, há as que não parecem nada visualmente e podem salvar uma vida.

Nunca ninguém havia lhe falado do mundo daquela maneira, era simplesmente maravilhoso. A energia que aquele bosque transmitia, inexplicável...

- Não se sabe porque, mas o homem precisa da natureza... com fontes boas, ruins, riscos... mas ela nos transmite algo- Deu outro trago na sua bebida- garoto, você sabe ler?

- Sim.

- Aqui há uma pequena mensagem- deu lhe um pedaço de papelão com algumas palavras escritas- uma criança como você é uma fonte fértil para mudar o mundo, as pessoas terão ouvidos para você. Leia essa mensagem para: um professor, um empresário, um religioso e um amigo. Eles irão espalhar o restante, e assim eu e você seremos os responsáveis por mudar o mundo. Pois aqui nesse bosque, matos e plantas boas interagem o tempo todo, é impossível entender quem anda na frente, o mato se espalha rápido, mas não tem raízes fortes, é grotesco e volúvel...as plantas demoram mais, mas são firmes, suas raizes são belas. o fato é que nesse milhões de anos... os dois existem. Leve essa mensagem.

O velho caiu de bebado no meio do bosque, Luiz saiu andando sozinho tranquilamente. Guardou o pedaço de papelão no bolso e desfrutou daquela sensação de paz. Estava maravilhado com o bosque.

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