sábado, 13 de outubro de 2012

O Xadrez


Xadrez,
É um jogo milenar que se perpetua, há diversas explicações para tamanho sucesso. Serão os símbolos que existem nesse desafio entre duas pessoas?
 O Rei é a peça mais importante do jogo, é dele que o enxadrista deve cuidar, e o rei oponente deve ser rendido. O Rei é a peça mais frágil e mais lenta de manejar. Já a Rainha, é a mais forte, possui flexibilidade para ir a todas as direções, ela pode ser sacrificada, porém, mantê-la no jogo até o final é de grande vantagem, principalmente se sacrificamos a rainha inimiga. O cavalo, a torre e o bispo têm quase o mesmo valor. O peão é quem vai à frente, este se chega até a última casa do oponente pode se transformar na peça que quiser. É um jogo de raciocínio lógico para quem gosta de desafios.  
Horas e horas são investidas por pessoas de todo o mundo, principalmente com o estouro da internet. Quem entra em uma partida de Xadrez não entra para perder, por isso nunca incomodar alguém durante o jogo, o estágio de concentração é máximo, e a derrota tem gosto amargo. Mas quando se perde não há a quem culpar, o responsável por todos os movimentos é você mesmo, um jogo sem sorte envolvida, nenhum dado, nada. Apenas sua capacidade de pensar, prestar atenção, se concentrar e ir até a vitória. Em muitas jogadas o tempo passa, e não é possível saber qual é o melhor movimento, não há tempo para analisar, um mar de possibilidades e angustia toma conta do enxadrista, jogar ou não jogar, continuar pensando ou jogar logo, o tempo passa. O certo pode ser jogar logo, a decisão pode ser equivocada ou correta. O tempo é limitado, seu oponente tem a mesma vontade de ganhar que você, se vier a vitória, todos os méritos são seus, se vier a derrota, o responsável é você, sinal que de que precisa treinar mais para vencer aquele oponente. 

domingo, 16 de setembro de 2012

Aparente Paz




Impressionante como uma cidade vista de fora é tranqüila e acolhedora, sem conflitos, sem muitas perturbações. Pode-se sentar num café e observar a gostosa rotina que um canto desses oferece. De manhã cedinho há pouco engarrafamento, as pessoas chegam no trabalho rapidinho, as mãe andam pelas calçadas com as crias, algumas vão ao supermercado outras tem que deixá-las na escola. Durante o dia as pessoas andam pelo comércio movimentado, lojinhas simpáticas, sol quente; nas praças há sombra suficiente para acolher as pessoas aparentemente desocupadas.
Na cabeça de todas essas pessoas, há contas a pagar, paixões não vividas, conflitos com o vizinho, problemas de comércio. Dessa forma, se você se aprofundar em sua observação dessa paz aparente, percebe-se isso.
Um senhor chama muita atenção nessa cidade, pois ele fora grande produtor de Cacau, prefeito por oitos anos e deputado estadual por 16 anos. Rico, bem sucedido, educado, bem casado e no fim da vida. Nessa pacata cidade ele tem paz, tempo para brincar com os netinhos, as netinhas, passear com sua primeira e única esposa, comer bolinhos, tomar café, etc,etc. Uma pessoa bem resolvida, feliz com tudo que viveu, que realizou e  construiu com muito trabalho: um patrimônio e uma família. Aos domingos sempre almoça na casa de sua filha caçula, seu xodó de sempre; quando os irmãos sentem saudades do pai, é aí que vão a seu encontro. Já tem netos de 30 anos e sempre gasta horas dando lhes conselhos sobre negócios, política, mulheres e casamento; é um verdadeiro líder dentro de sua família e a admiração que os filhos tem por ele chegou até os netos. Os filhos não quiseram seguir nem o ramo do Cacau nem o ramo da política; formaram-se em direito, engenharia e medicina; apenas dois netos herdaram essa preferência do avô pela política. As coisas na vida desse senhor sempre tinham andado tão bem, que ele não nunca teve necessidade de se perguntar, se questionar, se avaliar. Nessa maré de paz em que vivia, era uma pessoa arrogante, e não lhe sobrava tempo para avaliar sua postura durante a vida, nos negócios ou na política;  nunca enxergou nada além da linda família e do patrimônio criado. Na consciência, às vezes, lampejos de lembranças e ações lhe vinham à memória, mas nada que o mobilizasse. Sua mulher era um pouco conflitada com as posturas dos homens perante a vida e o amor ao próximo, mas nem ela mesma conseguia um pouco de reflexão nesse homem.
Passara o dia lendo na praça; chegando em casa saudou  sua esposa que, muito atenciosa lhe serviu um café. Do nada um surto lhe deu na cabeça e a imagem de uma linda menina,de seus três anos,  o atordoou um pouco. Perguntava-se de onde viria a imagem daquela garotinha; realmente, ele não se lembrava, mas seu subconciente guardava tudo e o castigava há 20 anos, a respeito daquela garotinha.  Em 1990, ano de campanha para deputado estadual, os investimentos na política foram muito altos, as cobranças dos partidos por resultados eram  ferozes, e era necessário fazer uma campanha mais arrojada, pois a chefia  não permitiria menos de 30 mil votos. A política é assim, ao entrar, o tipo de cobrança e anseios desvia os valores e objetivos dos mais honestos, é preciso ser uma fortaleza para se manter integro nesse meio. Preocupado com seus investimentos, conseguira apoio da televisão estadual para fazer 2 minutos de campanha em horário ao vivo. Mobilizaram-se diversos seguidores políticos que o ajudaram com muito esforço, a visitar locais carentes e prometer coisas descontroladamente, sem nenhum tipo de planejamento, essas ações infelizmente fazem parte desse jogo. Um minuto de seu horário foi destinado a uma área carente, sem hospital, luz e escolas por perto. Nessa área uma garotinha de três anos foi a escolhida para estar em seu colo. Era uma criança iluminada, tinha os olhos vivos, uma energia intensa, dessas de quem vem com uma missão na terra. E mesmo com as pressões que este homem estava sofrendo, seu coração se tornava terno, a garotinha o tinha alcançado. Mas o jogo precisava continuar, seu coração voltou a ficar duro, esquecido da bagagem e missão para a qual veio a terra e o horário foi gravado. Ele, sem saber se teria a verba para executar aquilo, sem planejamento algum, prometeu a essa comunidade hospitais, luz, uma escola e um parquinho. A gravação tinha sido um sucesso e todos comemoraram.  Na gravação que foi ao ar, a imagem da garotinha lhe dando tchau, viveria para sempre no fundo da memória desse homem. Ele se elegeu deputado nesse ano com 35 mil votos, as ansiedades passaram, ultrapassou os 30 mil votos, após se eleger ocorrem outras pressões que descomprometem tudo o que foi prometido à população, é complexo e difícil de explicar, os interesses são confusos, as linhas de poder se chocam, o dinheiro é direcionado de maneira pesada, lenta, inconseqüente. Os hospitais, os parquinhos as escolas, os negócios e as pressões políticas não lhe permitiam lembrar de nada, o jogo continuava, nenhuma agenda, nenhuma anotação. A garotinha teve uma forte pneumonia, seus pais foram ao hospital da cidade, ela foi medicada, e voltou a casa. No dia seguinte de manhã ela passava bem, queria brincar de novo na rua, teve uma rápida tosse, precisava novamente de atendimento urgente, mas o hospital era longe e não havia transporte no momento.  Morreu aos 4 anos no braço da mãe a caminho do hospital. Teve um enterro humilde, deixou atrás de si uma grande dor e muita alegria que ainda teria para viver. Nessa comunidade morava a amiga da amiga da empregada da casa do deputado; entre as pessoas humildes as noticias ruins correm rápido, gostam de espalhar a todas horas essas notícias que abalam o coração de todos.O deputado perguntou se tinha alguma culpa disso; em seguida lembrou-se da feroz  e confusa disputa de verba e se aliviou ; se sensibilizou, mas não sentiu responsabilidade alguma por seus atos.
Então naquela tranqüila tarde, estranhamente a imagem da garotinha lhe vinha a mente com mais freqüência. Só aí ele percebeu que aquilo o atordoara por anos: aquele hospital não feito,  a falta de verbas, aquela disputa por poder, não era nada com ele, mas algo dentro dele o forçava a se dar uma satisfação. E assim.atordoado, foi dormir. Sua mulher que sempre dormia com ele, naquele dia dormiu no sofá, sentada vendo a novela. O senhor dormia profundamente e certa hora viu a imagem da garotinha no seu quarto; seu coração quase lhe veio a boca e uma grande quantidade de energia reprimida por anos desabou sobre seu corpo  e, sentindo alivio e susto ao mesmo tempo, percebeu que a imagem era ilusão, procurou a mulher e não a achou; a energia gasta por ver aquela imagem tinha sido tanta, que não conseguia se levantar, retornou ao sono. Então sonhou com o lugar onde nasceu, com sua humilde mãe, pai e irmãos, de sua comunidade no interior da Bahia, da ajuda mútua que havia naquele lugar, de como se distanciou de tudo, de como a ferocidade do mundo com seus interesses  o afastaram de suas origens . E nesse sonho, ele sentiu uma grande dor sobre seus pulmões, uma dor que era absurda para uma criança de 4 anos e um senhor de 75, toda a sua cabeça e seu corpo haviam sido transferidos para o momento em que a garotinha tinha falecido, procurava a sua mulher ao lado da cama, meio acordado e meio dormindo, mas não achava nada, ela dormia profundamente no sofá, o grito forte e estrondoso da garotinha triturava sua cabeça e todo seu corpo, procura explicações para tamanha energia e não achava. A garotinha pedia para ele cuidar dela, ele não conseguia responder. Em certo momento ele pegou desesperado na mão da menina  e lhe disse:  prometo que cuido de você querida, para toda a eternidade e os olhos da garotinha brilharam e o coração do homem não agüentou de emoção. Sua última lembrança de vida, era ele saindo de seu corpo, colocondo-a no colo, ela o abraçava com muita confiança, eles por fim haviam se encontrado. Tivera uma morte feliz. 

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Como é bom conhecer pessoas empreendedoras



Dia de trabalho bem movimentado, eu retornando de Mossoró pela CE-040, já eram 14:00 horas e ainda não havia almoçado. Primeiro pensei em parar em uma das várias churrascarias que há nessa rodovia
mas sempre estavam muito cheias e eu passava direto. Os minutos iam passando e eu percebi que a fome só piorava, do nada me reparei em uma casinha simples com umas redes do lado de fora e uma pequena placa: Restaurante Cajueiro. Fiquei meio desconfiado, lugar muito pequeno, mas parei. Chegando lá havia um homem sem camisa deitado na rede, lhe perguntei se ainda estava saindo almoço, e quais opções estavam sendo servidas. Ele quase me colocando para fora do restaurante me disse:
-Sai só carneiro, quer?
Respondi:
-Claro que sim.
Ele se levantou colocou uma blusa e gritou:
-Mulher, prepara um prato de carneiro caprichado, tem gente aqui.
Dei uma volta no restaurante, observei as redes, as galinhas, uns bodes, os filhos dele correndo pela área toda, eram dois, e tinham entre 8 e 10 anos. Aproveitei e bati algumas fotos, achei o local curioso. Quando voltei a me sentar, parabenizei ele pela casa e lhe disse que era muito agradável. Ele lógico, agradeceu o elogio e fez propaganda da comida dele, que era a mesma que ele, a mulher e os filhos comiam. Quando a comida veio, realmente, um arroz soltinho e temperado, o feijão verde delicioso e o carneiro sem comentários, uma delicia. Dessa vez elogiei a comida, ele tornou a fazer propaganda, disse que a mulher faz pouca comida, que é a conta certa para em torno de 10 pessoas passarem por ali no dia, e que eu já era o décimo segundo e pensou em não me atender, mas como eu disse que queria o carneiro ele abriu exceção. Enquanto aproveitava aquele ventinho e a comida tornei a puxar assunto:
- Mas porque você não atende mais de dez pessoas por dia?
Ele respondeu:
-Rapaz, a partir dessa quantidade a comida começa a ficar ruim, e a mim o que me interessa é que a minha família coma bem.
Eu lógico comecei a me interessar por aquela filosofia de vida. Lhe disse, o ponto aqui é muito bom, essa rodovia é muito movimentada. Daí ele disparou a falar:
-Eu gostava dela antes da reforma, isso aqui quase deu errado várias vezes por causa dessa reforma. Primeiro eu tinha uma placa aqui grande, Restaurante e Churrascaria, daí paravam vários caminhoneiros mal educados, sem hora, e nada, e quando parava um, virava uma moda, em seguida isso aqui enchia, eles falavam alto, comiam feito uns mal educados e minha paz ia embora. Falei para a mulher que ia vender isso aqui, mas aí a mulher sugeriu que tirássemos a placa e colocássemos uma menor. Batata, a paz voltou a nossa casa. Depois teve uma época que isso aqui virou ponto de bêbado, o pessoal gostava das mesinhas aí fora para beber, e apareciam com som alto, sem hora e limites de parar, pensei em vender de novo, aí minha mulher sugeriu que não vendêssemos mais cachaça e cerveja. Hoje vendo no máximo umas duas cervejas, pois tem amigos que almoçam aqui e gostam, a depender de quem pede eu digo que não tem e torço para ir embora. Hoje um monte de corno aparece aqui querendo comprar, mas minha mulher diz que nessa casa está a nossa história e não me deixa vender As vezes tenho vontade de comprar uma área longe dessa estrada. Aqui vivo eu nessa paz, deus me livre ganhar dinheiro, isso é para quem sabe ter, eu nunca vi a graça. Outro dia apareceram aqui querendo pintar o muro com política, lhe disse que não voto em ninguém, muito menos pintar meu muro.
Quando ele acabou esse relato lhe perguntei se poderia bater uma foto sua, ele deu risada e disse:
-É cada um que aparece.
E bati as fotos. Acabei de degustar a comida, realmente, deliciosa, fiquei olhando para aquela figura. Apreciei o ventinho gostoso daquela casa, pedi um café, esqueci-me de muita coisa por um momento. Paguei a conta, antes de retornar a estrada ele me desejou boa viagem e para procurar ser feliz. Realmente um sábio, poucas pessoas desejam isso nessa situação, procure ser feliz. Tomei a estrada e retornei a minha realidade. Como é bom encontrar pessoas felizes e satisfeitas com a vida.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Pressão Interna

Quando projetamos um equipamento, a pressão que ele deve suportar é um valor congelado, porém, que pode ser reduzido com o uso. Já falar de pressão e ser humano é muito mais complexo, pois com o passar do tempo alguns se habituam com as pressões fortíssimas da vida, outros, a medida que vão envelhecendo, se deterioram aos poucos e ficam cada vez mais fracos. Um equipamento, além de suas funções operacionais, deve também equalizar a pressão interna com a pressão externa e vejo que isso é muito parecido com o nosso dia a dia. Recebemos diversos tipos de pressões externas e somos forçados a ter estrutura interna correspondente para que possamos nos equalizar com o meio externo. Mas o que é estrutura interna?
Claro que também depende de religião e doutrina, mas a estrutura interna de uma pessoa é construída, em primeiro lugar, olhando para dentro de si e não para fora, projetando nos outros ou no mundo. E o que nos faz olhar para dentro de nós mesmos? Desafios e adversidades, sem isso é muito difícil ir adiante. Mas é
claro: tudo com calma, cautela e espontaneidade. Deixando vir aos poucos ; o processo é lento e a vida é longa e prazerosa.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Por do Sol em Ponta do Mel

Como vim passar o São João em Mossoró não resisti deixar de ir à Ponta do Mel.  Ali pode-se ver o mar de um ângulo muito belo. Olhei várias vezes e senti conforto, senti a imensidão, percebi o brilho da vida e como é desafiante tentar entender toda aquela quantidade de água azul. Olhava e olhava para tentar entender aquilo tudo, mas percebi que não havia fim, poderia estar ali por horas, semanas e até anos mas não teria todas as respostas. A sabedoria consistia em curtir aquele momento, sem pressa, com paciência, ciente de que o mar estaria sempre ali. Depois fui a um barzinho apreciar o por do sol e tomar uma cervejinha.  A música do bar fazia bem, apesar de ser brega. A vista nesse ponto mais baixo também era preciosa.  Havia inúmeros barcos pesqueiros e o sol raiava sobre o mar.  Ali havia belas pedras, intactas, pois os pescadores nunca as haviam desrespeitado. Na mesa ao lado havia pescadores tomando pinga e cerveja;  senhores que deveriam ter mais de 60 anos e que,  apesar de barrigudos, tinham braços fortes e muita disposição para trabalhar: percebía-se que tinham saúde. A pele bronzeada há anos, já acostumada com o sol, sem conhecimento de protetor solar. Um deles dizia que já havia jogado com um jogador do Botafogo,  famoso na decada de 70, há 40 anos,  no campeonato de Mossoró,; o outro disse que naquele ano foi o melhor goleiro da região e, por fim, o terceiro discordou de tudo e dise que o tal jogador do Botafogo na verdade só tinha jogado em Natal e daí desencadearam uma longa discussão; disseram inclusive que um dia  iam chamar o tal jogador lá em Natal, ainda vivo, para esclarecer tudo. Eles falavam sobre todos os amores que haviam passado por Ponta do Mel, pois mesmo com o passar dos anos um grande amor não se apaga nunca. Lembraram também que a o horário de pescar no dia seguinte seria às 3 da manhã devido a maré.  Percebi que para eles não existe sábado, domingo nem jornada laboral, suas rotinas são ditadas pela Maré e pelo sol quente. Nessa conversa rica , cheia de vida e passado, o Sol ia se ponto em Ponta do Mel. A sensibilidade de cada um quando chega a determinado local tem suas particularidades e essa região próxima a Areia Branca sempre me recebe bem. As energias aqui são positivas, não há palavras e sequer imagens para descrever o que é curtir um por do sol em Ponta do Mel.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Um surto de Felicidade

Acordou naquele dia feliz, sem problemas, sorrindo para as dificuldades, vendo as adversidades como prazeres da vida a serem enfretados. Perguntando-se: E Agora? O que vou fazer?
Lhe veio a mente: Vou arrumar problemas maiores para a minha vida.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Cheguei em casa naquele dia, as estantes estavam arrumadas e a casa limpa. Conferi todos os meus livros: todos no mesmo lugar, limpos. O Tapete estava na frente de casa, local escolhido por mim há mais de 5 anos. A Janela limpa, sem sequer um arranhão, cheirosa, bem feita. Verifiquei o banheiro e me aborreci um pouco pois a empregada havia utilizado um desinfetando diferente, mas a pasta de dente era a mesma. Fui até a sala de música, peguei um conto de Tchecov para ler e coloquei Mozart.  A música começou a tocar, fiquei ali sentado curtindo a minha vida. Do Nada o vento tirou o tapete do lugar, fui e coloquei no mesmo lugar. Voltei a sentar e o vento voltou a tirar o tapete e várias revistas. Tentei colocá-los no lugar, mas não consegui. Então, muita água começou a entrar em toda a casa, tentei contê-la, mas não tinha como e uma grande piscina se formou em toda a minha casa. Meus livros e toda a ordem de anos haviam se desfeito e comecei a gostar da sensação daquela piscina; subi até o lustre da casa e mergulhei nela. Lembrei de um óculos de natação que tinha de infância, coloquei-o e comecei a mergulhar pela casa toda. Em baixo d'água, a corrente era muito forte.  Na verdade era tudo muito divertido. Quando levantava para tomar fôlego, me segurava no lustre e apreciava muito aquele momento, pois há anos eu não era tão feliz. Vários animais e vários amigos entraram na casa para brincar comigo, brincamos de pega pega embaixo dágua e eu me saia bem como de costume. Certa  hora me faltou um pouco de ar. Quando acordei, o livro estava sobre o meu peito, estava tudo no mesmo lugar e Mozart era belo e simples como sempre.